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A voz suprema da passarela e da tradição

Existem vozes que cantam a história de um povo, e existe a voz que é a própria batida do coração do Brasil. Neguinho da Beija-Flor não é apenas o intérprete de uma das maiores escolas de samba do país; ele é o fio condutor de uma herança cultural que atravessa gerações, unindo a grandiosidade da Marquês de Sapucaí à alma popular de nossa gente.

​Nesta entrevista exclusiva para a minha coluna, tenho a honra de receber um verdadeiro patrimônio vivo da nossa cultura — um artista que traz a força do pavilhão azul e branco na alma e que, agora, empresta seu brilho inconfundível para o nosso amado Festival do Folclore de Olímpia.
​Prepare-se para se emocionar com quem transformou o canto de uma comunidade em hino nacional. Com vocês, a lenda viva: Neguinho da Beija-Flor.

1. Neguinho, você tem uma história monumental nos maiores palcos e avenidas do Brasil. O que está passando pelo seu coração ao pisar pela primeira vez no Fefol, na Capital Nacional do Folclore, trazendo toda a sua arte para o coração do interior paulista?

Sinceramente, o que está passando pelo meu coração nesse momento é uma alegria muito grande. Uma honra estar na Capital Nacional do Folclore.  

2. Sua carreira começou em blocos e festivais de bairro até chegar ao topo da Beija-Flor. Como você enxerga a importância de festivais como o de Olímpia para manter viva a verdadeira alma das tradições populares do Brasil?

Olímpia tem o maior festival folclórico do país. Manter a importância desse festival viva no coração do Brasil é muito importante.

3. Sua voz é um dos maiores patrimônios sonoros do nosso país. Para você, qual é o papel da música popular e do samba-enredo na construção da identidade cultural do povo brasileiro?

O samba agoniza, mas não morre, como já disse o poeta Nelson Sargento, da Mangueira. Fazer parte desse patrimônio brasileiro, ser um dos representantes do samba, que é o que representa o Brasil no mundo, é muito gratificante.

4. Você marcou época, criou o grito de guerra mais famoso do carnaval e viu gerações inteiras cantarem com você. Como é olhar para trás e perceber que sua voz se transformou em um símbolo eterno da nossa cultura?

Eu me pergunto: será que eu represento isso tudo mesmo? Às vezes eu me belisco pra ver se sou isso aí, se represento tudo isso que as pessoas acham. Me sinto muito agradecido pelo que as pessoas enxergam em mim. Me sinto envaidecido, de uma certa forma.

5. Além do seu talento, sua história de vida — incluindo a superação de momentos difíceis com tanta garra — inspira milhões de brasileiros. De onde vem essa energia inesgotável para continuar levando alegria por onde passa?

Ah, essa energia toda aí é gostar de viver. A vida é uma festa, na minha concepção. Adoro viver e adoro fazer o que faço, viver do que faço: do samba, da música, de compor, de cantar. É gostar da vida, que proporciona tudo isso aí.

6. Após décadas como a voz oficial na avenida, você tem vivido novos momentos na carreira, explorando novos palcos e públicos. Como tem sido essa nova fase de conexão direta com o público em eventos culturais e festivais pelo Brasil?

Eu passei cinquenta e quatro anos no Carnaval, conciliando as duas carreiras: o Carnaval e a música no que a gente chama, no nosso linguajar, de meio de ano. Depois de cinquenta e quatro anos, resolvi passar o microfone para a nova geração no Carnaval e priorizar o meio de ano. E está dando muito certo, graças a Deus. Eu não esperava tanta aceitação assim. Está dando certo naquilo que eu priorizei na minha trajetória na música, pintando muitos convites, não só no Brasil como no exterior. Graças a Deus, o que eu esperava está dando certo.

7. Você tem uma relação muito forte com o Estado de São Paulo e agora se apresenta em Olímpia, uma terra que respira turismo e cultura popular. O que mais te impressiona na energia do público do interior?

A receptividade. O povo do interior de São Paulo é muito receptivo e carinhoso, e isso é muito gratificante. Para quem vive da arte, da música, ser recebido da forma como nós somos recebidos e aceitos pelo povo do interior de São Paulo, e de São Paulo no modo geral, é muito legal.

8. O que você diria para os jovens artistas, músicos e sambistas que estão começando agora e sonham em deixar uma marca na cultura brasileira, assim como você deixou?

O que eu diria para os jovens artistas é o mesmo que eu disse para os novos que me sucederam na avenida e no mundo do Carnaval, a Jéssica e o Nino, que são meus substitutos: é lógico que você não pode abandonar a sua profissão, que é o sustento, mas nunca abandone o que você pretende na arte, que é a música. Você tem que dar continuidade e nunca desistir dos seus propósitos.

9. Ainda hoje, quando você puxa um grande sucesso ou entra em um palco festivo, qual é a sensação exata que te move e faz o seu coração bater mais forte?

O que me motiva é gostar de fazer o que faço. E a sensação de estar no palco cantando é o que realmente me realiza.

10. Para encerrarmos com chave de ouro: que mensagem você gostaria de deixar para o povo de Olímpia, para todos os visitantes do Fefol e para os amantes da cultura que vieram te aplaudir de pé nesta terra?

O que eu gostaria de deixar para o povo de Olímpia e para esse festival maravilhoso é: muito obrigado por ter me convidado para estar nessa festa, uma das mais conhecidas do país. E muito obrigado pelo carinho com que vocês me receberam, porque o carinho de vocês é enorme com quem participa desse festival maravilhoso. Um beijo grande!

 

 

 

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