A coluna desta semana celebra o legado e a visão de quem está à frente da maior referência do universo country mundial.
Recebo com exclusividade o Sr. Jerônimo Luiz Muzetti, presidente da Festa do Peão de Barretos. Mais do que um gestor, Jerônimo é um visionário que mantém viva a chama da nossa cultura, unindo tradição e vanguarda. Em nossa conversa, ele compartilha os desafios de comandar um evento que não é apenas uma festa, mas o coração pulsante de uma tradição que movimenta o Brasil.
É uma honra registrar aqui o pensamento de um homem que transformou Barretos em um símbolo global de excelência e paixão.
O Olhar de Ruiz: conectando você aos grandes nomes que escrevem a nossa história.

Sobre o Legado e a Gestão:
Presidente, o senhor ocupa a liderança da associação pela 13ª vez, uma marca histórica. Como o senhor avalia a evolução do seu perfil como gestor desde o seu primeiro mandato até este momento, especialmente diante dos novos desafios tecnológicos e de mercado?
A experiência nos ensina que a essência da gestão permanece a mesma: responsabilidade, compromisso e respeito pela história d’Os Independentes. O que mudou foi o cenário. Hoje administramos um evento muito maior, com novas tecnologias, novos formatos de comunicação e um público cada vez mais exigente e que queremos atender sempre superando expectativas. Isso exige atualização constante, planejamento e uma equipe preparada. Lideramos com foco, principalmente, em construir o futuro da Festa.
A Gênese do Evento:
A Festa do Peão de Barretos nasceu em 1956 de uma iniciativa de 20 jovens em um bar, com o foco em filantropia. Como manter viva a essência desse grupo original, diante da necessidade de transformar a festa em um negócio multibilionário e de escala global?
O crescimento da Festa aconteceu sem que ela deixasse de lado seus valores. A cada edição, buscamos fortalecer não apenas o evento, mas também o seu papel social, destinando recursos para instituições e entidades que realizam um trabalho essencial para a comunidade. A Festa ganhou uma dimensão muito maior ao longo dos anos, mas continua sendo construída sobre os mesmos princípios que motivaram aqueles 20 jovens: união, tradição, responsabilidade e contribuição para a sociedade. Um dos destaques é a parceria com o Hospital de Amor que ajuda a viabilizar atendimento oncológico gratuito e de altíssima qualidade para milhares de pessoas diariamente.
O Impacto Econômico:
Barretos não é apenas uma festa, é um motor econômico para o interior de São Paulo. Qual é a dimensão real do legado socioeconômico que o senhor acredita que a festa deixa para a cidade e para o setor turístico brasileiro a longo prazo?
O impacto vai muito além dos onze dias de evento. A Festa movimenta hotéis, restaurantes, comércio, transporte, serviços e gera milhares de empregos diretos e indiretos. Ela projeta Barretos para o Brasil e para o mundo, fortalece o turismo regional e incentiva investimentos permanentes na cidade. É um legado que beneficia diversos setores da economia e reforça Barretos como um importante destino de eventos e fomento cultural do estado de São Paulo.
A Questão dos Valores:
Um tema recorrente entre o público são os valores dos ingressos e dos serviços premium. Como a diretoria justifica essa precificação diante de uma parcela da população que deseja participar, mas sente que o evento está se tornando cada vez mais elitizado?
Nos preocupamos em oferecer opções para diferentes perfis de público. Existem setores premium, mas também há ingressos em diversas faixas de preço e modalidades de acesso. Os custos de produção cresceram significativamente nos últimos anos, envolvendo segurança, infraestrutura, tecnologia, logística e atrações. Nosso desafio é equilibrar qualidade, sustentabilidade financeira e acessibilidade, sempre buscando que o maior número possível de pessoas possa viver a experiência da Festa. Mas até pensando em viabilizar ainda mais possibilidades, iniciamos sempre com bastante antecedência nossa venda de ingressos. Para que as pessoas possam se programar, se organizar com parcelamento, hospedagens. Sabemos que quanto antes, melhor para nossos visitantes, inclusive no que diz respeito a hospedagem, excursões que são organizadas principalmente na região.
O Mercado de Entretenimento e os “Cachês Absurdos:
Vivemos uma era de inflação nos custos de produção artística. Como o senhor analisa a sustentabilidade do modelo atual, onde camarins e cachês atingem valores astronômicos? Isso coloca em risco a viabilidade financeira de futuros eventos?
É uma realidade de todo o mercado de entretenimento. Os custos aumentaram em praticamente todas as áreas, e isso exige planejamento ainda mais criterioso. Nosso compromisso é trabalhar com responsabilidade financeira, negociando de forma equilibrada e construindo uma programação que uma grandes atrações, tradição e sustentabilidade econômica. O sucesso da Festa depende justamente desse equilíbrio.
Expectativas para a Edição:
Após o sucesso das edições anteriores, quais são as grandes expectativas e o que o público pode esperar de inovação estrutural ou artística para este ano?
Nossa expectativa é realizar mais uma edição histórica da Festa do Peão de Barretos. Investimos mais de R$ 25 milhões em obras e modernização do Parque do Peão, com melhorias nos acessos, mobilidade, ampliação de camarotes, novas estruturas no camping, banheiros de alvenaria climatizados e avanços tecnológicos no estádio, proporcionando mais conforto, segurança e qualidade para o público. Na programação artística, também buscamos montar uma grade que agrade diferentes gerações. Reunimos grandes nomes do sertanejo, artistas da nova geração, ícones que marcaram a história do gênero, além de atrações de pagode, música eletrônica, moda de viola e outros estilos que fazem parte da experiência de Barretos. Nosso compromisso é preservar a tradição, mas sempre oferecendo novidades e uma programação capaz de atender aos diferentes perfis de visitantes.
O Papel das Novidades:
O mercado de rodeio é dinâmico. Quais são as novidades tecnológicas ou de experiência do visitante que o senhor destaca como diferenciais para esta edição, buscando superar a experiência de anos anteriores?
A tecnologia hoje faz parte da experiência da Festa e está presente em praticamente toda a operação do Parque do Peão. Investimos em soluções como biometria facial para acesso ao evento, reconhecimento automático de placas no estacionamento oficial, sistemas de monitoramento, comunicação integrada entre as equipes e recursos tecnológicos aplicados aos palcos, à iluminação e à cenografia. Tudo isso contribui para oferecer mais segurança, agilidade e conforto ao público. Além disso, o Parque do Peão funciona como uma verdadeira cidade temporária, com uma operação que acontece 24 horas por dia e exige tecnologia para integrar serviços, mobilidade e atendimento. Nosso objetivo é que o visitante perceba essa inovação não apenas nos grandes espetáculos, mas em toda a experiência de quem escolhe viver Barretos.
O Rodeio como Esporte x Entretenimento:
Existe um desafio constante em equilibrar a tradição esportiva do rodeio com o entretenimento de massa dos palcos. Como a diretoria tem trabalhado para que o esporte, que é a raiz de tudo, não perca o protagonismo frente aos grandes shows?
O rodeio sempre será o coração da Festa. Os shows são extremamente importantes, mas o esporte continua sendo protagonista. O Brasil exporta talentos do rodeio a partir da festa de Barretos e isso é muito gratificante pra gente. Investimos continuamente nas competições, valorizamos os atletas, fortalecemos as modalidades e mantemos Barretos entre os principais rodeios do mundo. Nosso compromisso é preservar essa essência para as futuras gerações.
Desafios da Filantropia:
O estatuto d’Os Independentes carrega uma missão social forte. Em um cenário de custos de produção elevadíssimos, como o senhor garante que a Festa do Peão continue sendo um pilar de apoio para entidades e hospitais da região?
A responsabilidade social faz parte da essência da Festa do Peão de Barretos desde a sua criação e continua sendo uma prioridade para Os Independentes. Mesmo diante do aumento dos custos de produção, mantemos iniciativas que geram impacto direto na comunidade, como o Ingresso Solidário, que destina parte do valor arrecadado para entidades assistenciais de Barretos. Também fortalecemos nossa parceria com o Hospital de Amor por meio de ações como o Desafio do Bem e da participação de artistas que colaboram com cachês revertidos para a instituição. Nosso compromisso é fazer com que o sucesso da Festa também se transforme em benefícios para a sociedade, preservando o propósito que inspirou sua criação.
O Olhar dos Bastidores:
Presidente, o senhor conhece cada detalhe do que acontece ‘por trás das cortinas’. Para quem olha de fora, a festa é apenas o brilho do palco, mas sabemos que há um trabalho exaustivo nos bastidores. Há quanto tempo o senhor se dedica a esse ‘lado B’ da organização e, com toda essa experiência, que mensagem de incentivo o senhor deixa para aqueles que sonham em trabalhar na produção de grandes eventos e que veem em Barretos a maior escola do Brasil?
Minha história com a Festa é de décadas de dedicação. Quem vê apenas os onze dias do evento talvez não imagine que existe praticamente um ano inteiro de planejamento, reuniões e muito trabalho. Para quem sonha atuar nesse segmento, a principal mensagem é que grandes eventos são construídos com dedicação, disciplina, trabalho em equipe e paixão pelo que se faz. Barretos é, sem dúvida, uma grande escola para quem deseja aprender.
Sonhos e Visão de Futuro:
Presidente, com toda a sua trajetória e o sucesso consolidado, o que ainda move a sua gestão? Existe algum sonho, algum projeto inédito ou uma produção diferente que o senhor ainda deseja realizar dentro da Festa do Peão de Barretos para elevar o evento a um novo patamar?
Sempre há espaço para evoluir. Nosso maior sonho é garantir que a Festa continue crescendo. O desafio é fazer com que cada edição seja melhor que a anterior, preservando a tradição que construímos ao longo de sete décadas e ofertando o melhor ao público.
Mensagem Final:
Para encerrar, muitos jovens veem a Festa do Peão como um sonho de realização cultural. Que mensagem final o senhor deixa para o público que acompanha o evento e que vê no rodeio a própria identidade cultural do nosso país?
Agradeço a todos que fazem parte dessa trajetória de sucessos: visitantes, competidores, artistas, patrocinadores, parceiros, colaboradores e voluntários. A Festa do Peão de Barretos é muito mais do que um evento. Ela representa a cultura, a tradição, o esporte e a força do nosso povo. Esperamos todos de braços abertos para viver mais um capítulo dessa história
Créditos fotos:
Jeronimo: André Monteiro
Festa: Alisson Demetrio





