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Uma entrevista exclusiva com a guardiã da nossa cultura

Nesta sexta-feira, o espaço é todo dedicado a uma mulher que é sinônimo de trabalho, sensibilidade e amor pelas nossas raízes. Bati um papo especial e revelador com Priscila Seno Mathias Netto Foresti, carinhosamente conhecida por todos como Guegué.

​À frente da Secretaria Municipal de Cultura e Defesa do Folclore em Olímpia, Guegué realiza um trabalho incansável e transformador. Ela não apenas gerencia a pasta; ela vive, respira e fomenta a cultura em cada canto da nossa terra. É graças ao seu olhar atento, à sua energia contagiante e ao respeito profundo pela nossa história que o folclore e as manifestações artísticas continuam pulsando fortes, unindo tradição e modernidade.

​Nesta entrevista, conversamos sobre os bastidores desse trabalho essencial, os desafios de manter viva a nossa identidade cultural e os projetos que fazem de Olímpia uma verdadeira referência nacional.

​Prepare-se para se emocionar, conhecer mais sobre a trajetória dessa mulher inspiradora e mergulhar fundo no coração da nossa cultura.

O Legado e a Inovação
Estamos celebrando a 62ª edição do FEFOL, um marco que consolida Olímpia como a Capital Nacional do Folclore. Como você tem trabalhado para equilibrar a preservação da memória e das raízes do professor José Sant’anna com a necessidade de modernizar a experiência para o público atual?

Priscila Foresti:
O professor José Sant’anna teve a sensibilidade de transformar o folclore em um patrimônio vivo da nossa cidade. É esse legado que a gente tem a responsabilidade de preservar, sem perder de vista que o festival também precisa acompanhar o seu tempo. A essência do FEFOL está nas manifestações populares, nos grupos e nas pessoas que mantêm essa tradição viva há gerações. Isso não muda. O que evolui é a forma como acolhemos quem participa do festival. A cada edição buscamos melhorar a estrutura, investir em acessibilidade, tecnologia, segurança e conforto, para que artistas e público tenham uma experiência cada vez melhor. Preservar a história não é impedir mudanças. É saber exatamente o que precisa ser preservado e ter responsabilidade para fazer o restante evoluir.

Expectativas para 2026:
Com a expectativa de receber aproximadamente 2.800 artistas e cerca de 180 mil visitantes, quais são os principais indicadores de sucesso que você espera alcançar nesta edição?
2.800 artistas, 180 mil visitantes… são números importantes, e eu fico feliz com eles, não vou negar. Mas o que eu realmente acompanho de perto é outra coisa. É saber se cada grupo que chega a Olímpia se sente bem recebido. É garantir segurança para artistas e público. É ver as escolas participando, o comércio movimentado e a cidade vivendo esse clima do festival. E, principalmente, é perceber que esse cuidado continua depois que agosto termina. Quando o artista vai embora querendo voltar e o visitante já começa a planejar a próxima edição, é sinal de que a gente cumpriu a nossa missão.

Intercâmbio Cultural

A presença de 20 grupos estreantes amplia a diversidade do festival. Como a gestão pretende transformar essa novidade em um intercâmbio cultural permanente com os grupos locais?
Este ano recebemos vinte grupos estreantes, e um deles vem de um estado que participa do FEFOL pela primeira vez: Roraima. Isso é muito significativo, porque mostra o festival alcançando cada vez mais regiões do Brasil. Ao todo, teremos representantes de 21 estados. E o mais bonito é que esse intercâmbio não acontece apenas durante as apresentações. Ele acontece nos bastidores, nos encontros entre os grupos, nas conversas, nas refeições compartilhadas e na convivência ao longo dos dias. É assim que a cultura circula e se fortalece.

Impacto Socioeconômico

O FEFOL movimenta não apenas a cultura, mas também a economia regional. Como esse impacto é mantido durante o restante do ano?
O FEFOL movimenta a cidade. Pousadas movimentadas, restaurantes cheios, comércio aquecido. Mas, se a gente olhar só para esses nove dias, conta apenas parte da história. O trabalho começa muito antes de agosto e continua bem depois que o festival termina. São oficinas, são editais, são projetos, é a ECO funcionando o ano inteiro. É esse cuidado constante, esse trabalho que quase ninguém vê, que faz o folclore continuar presente na vida de Olímpia, não só naqueles nove dias de festa.

Educação Patrimonial

O projeto FEFOL nas Escolas tem aproximado crianças e adolescentes da cultura popular. Quais são os próximos passos dessa iniciativa?

Eu gosto muito de falar do FEFOL nas Escolas. O projeto leva o folclore para dentro da sala de aula antes mesmo da visita ao Recinto do Folclore. Desde 2017, o tema faz parte do currículo da rede municipal. Isso faz toda a diferença, porque as crianças chegam ao festival entendendo o significado das manifestações, dos grupos e das tradições que estão vendo. O nosso objetivo é ampliar esse trabalho para que cada vez mais estudantes cresçam reconhecendo o valor dessa história e entendendo por que Olímpia é a Capital Nacional do Folclore.

Parcerias e Sustentabilidade

Olímpia vem fortalecendo parcerias importantes para a preservação do patrimônio cultural. Como essa rede de cooperação contribui para o futuro do FEFOL?
A parceria com Parintins mostrou o quanto cidades que têm o folclore como parte da sua identidade podem aprender umas com as outras. Esse intercâmbio abriu novas possibilidades e reforçou a importância de ampliar essa rede. Hoje também contamos com uma parceria inédita com a Fundação Roberto Marinho e o Instituto CUIA na modernização do Museu do Folclore. São iniciativas que fortalecem o nosso patrimônio cultural e ajudam a garantir que ele continue vivo e valorizado pelas próximas gerações.

Gestão e Infraestrutura

Quais investimentos foram priorizados neste ano para melhorar a infraestrutura do festival e preparar o Recinto para o futuro?O crescimento do festival pede que a estrutura cresça junto e é nisso que a gente tem trabalhado. Neste ano, o destaque são as melhorias no Recinto, como a Vila Brasil. O espaço passou por um processo completo de revitalização e será inaugurado no dia 1º de agosto, com a operação gastronômica toda temática, em homenagem ao Rio de Janeiro, o estado homenageado. É um investimento pensado para durar, para funcionar o ano inteiro, não só durante os nove dias de festival. E isso é só uma parte. A gente segue investindo em outras melhorias dentro do Recinto, sempre pensando em receber cada vez melhor quem vem para o FEFOL.

Política Pública de Cultura

Além do FEFOL, como a Secretaria trabalha para consolidar uma política pública permanente de cultura em Olímpia?
Muita gente associa o trabalho da Secretaria apenas ao período do festival, mas ele acontece durante todo o ano. Temos oficinas, editais, projetos de formação e ações permanentes. Para mim, política pública de cultura é não depender de um único evento, por maior que ele seja. É manter uma estrutura que fortaleça os grupos, forme novas gerações e preserve a nossa identidade cultural. É esse modelo que consolidamos em Olímpia.

Desafios da Pasta

Qual é hoje o maior desafio de quem está à frente da Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore?
O maior desafio é fazer as pessoas entenderem que manifestação popular não é apenas uma tradição bonita de se ver. Existe muito trabalho, técnica e dedicação por trás de cada apresentação. São famílias que preservam esse conhecimento há gerações e que merecem reconhecimento e respeito. Defender o folclore também é defender essas pessoas e criar condições para que esse patrimônio continue vivo.

Mensagem Final

Que mensagem você gostaria de deixar para os artistas, produtores, voluntários e para todo o público que faz o FEFOL acontecer?
Quero agradecer, de coração, a cada artista, produtor, professor, voluntário e a todas as pessoas que fazem o FEFOL acontecer. Muita gente vê os nove dias de festival, mas existe um trabalho enorme ao longo de todo o ano para que tudo isso aconteça. A 62ª edição é também uma forma de reconhecer esse esforço coletivo. O tema “Aquele Abraço” representa exatamente esse sentimento: um abraço de Olímpia em todos que ajudam a manter viva a nossa cultura popular.

 

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