O folclore não é apenas um conjunto de lendas ou danças do passado; é a nossa identidade viva, o fio condutor que une gerações e nos conecta à essência do que significa ser brasileiro — e, na verdade, ser humano. Preservar nossas tradições é um ato de resistência e de amor, garantindo que a sabedoria popular continue a guiar nossas comunidades com seus valores e sua história.
Como olimpiense e colunista que respira a nossa cena cultural, Alex Ruiz, vejo o FEFOL não apenas como um evento, mas como um movimento de conexão cultural imersiva. Em um mundo cada vez mais digital e acelerado, o que Olímpia reúne aqui é um verdadeiro “resgate de humanidade”. É a valorização de uma cultura que transita entre o ancestral e o moderno, provando que nossas raízes são o nosso maior ativo criativo e social. O folclore é a nossa marca registrada na vitrine do mundo, um patrimônio que se renova e se mantém pulsante através do talento de quem mantém vivas essas tradições.

Toda essa energia acontece entre os dias 1º e 9 de agosto de 2026, quando nossa Olímpia se transforma no grande palco do Brasil. Durante estes dias, o Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna”, localizado na Avenida Menina Moça, 800, será o ponto de convergência para o que há de mais autêntico na nossa cultura, celebrando o tema “Aquele Abraço” e o Jubileu de Alecrim.
Esta edição histórica já se destaca como um encontro nacional sem precedentes, contando com 53 grupos de 21 estados brasileiros trazendo a força de manifestações como o jongo, o samba, a folia de reis e o maracatu. O estado do Rio de Janeiro será o grande homenageado da vez, trazendo sua rica bagagem cultural com nove grupos já confirmados para abrilhantar o festival.
O lançamento oficial da festa ocorreu no dia 1 de junho, na Estação Cultural de Olímpia (ECO), com a presença de autoridades, grupos e representantes do setor cultural.

A celebração deste ano também marca uma renovação sem tamanho, com o maior volume de inscritos em seis décadas, totalizando 147 grupos interessados. Teremos a participação de 18 grupos estreantes e 20 grupos locais de Olímpia, somando cerca de 2.800 artistas em cena. Para quem deseja vivenciar essa imersão, serão oferecidas mais de 130 apresentações gratuitas, além de seminários e intervenções que ocuparão as ruas, escolas e todo o espaço do Recinto do Folclore.

O FEFOL transforma nossa cidade em um verdadeiro espelho do Brasil. Ver esses artistas mantendo vivas as tradições de seus territórios de origem — sem reconstruções cênicas, mas como prática cultural ativa — é um privilégio. Convido a todos a prestigiarem e a se emocionarem com a força das nossas raízes.
Crônica Social – O Inventário das Ausências
Perder algo — seja um par de chaves, um projeto ou um ciclo que se encerra — costuma começar com o susto do silêncio. É aquele tatear frenético nos bolsos da alma, a busca por algo que, até ontem, era a mobília fixa da nossa rotina. A primeira reação é o luto pelo objeto perdido. Ficamos ali, olhando para o espaço vazio na estante, hipnotizados pelo que não está mais lá. Mas a vida, essa cronista irônica, tem um jeito curioso de lidar com o vácuo.
Passado o impacto, o que era um buraco começa a ganhar contornos de oportunidade. É como se a perda fosse, na verdade, um clique fotográfico. Sabe aquele momento em que uma janela se fecha no computador e, de repente, você percebe que havia dez outras abertas por trás, cheias de abas interessantes que você ignorou por puro foco na primeira? Aquilo que parecia o fim de um caminho, de repente, vira a imagem de você tomando fôlego para planejar algo que sempre quis. O silêncio que se instala abre espaço para reencontros esquecidos, para viagens novas e para um autoconhecimento que antes não cabia no dia a dia.
Socialmente, fomos treinados para esconder nossas perdas, como se o sucesso fosse uma linha reta e contínua. Mas a verdade é que a nossa trajetória real é feita de cortes. A crônica da nossa vida não é escrita sobre o que mantemos, mas sobre como reagimos ao que nos falta. Às vezes, é preciso perder o controle da narrativa para que a vida assuma a edição. E, nessa edição, ela espalha sobre a mesa novas fotos: a imagem do alívio, quando você percebe que o que se foi era um peso; a imagem da surpresa, com novos caminhos que nunca teriam sido trilhados se a ponte antiga não tivesse caído; e a imagem da resiliência, o seu rosto descobrindo que, apesar de faltar algo, você ainda está inteiro.
No fim das contas, perder algo é apenas o ato de abrir espaço. O que vem depois não é o nada; são várias versões de você mesmo, em situações melhores, esperando o momento certo para serem reveladas.






