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Voz, Pulso e Identidade: O DNA Riopretense em Evidência

Há trajetórias que se confundem com a própria pulsação da cidade. Quem observa São José do Rio Preto de fora percebe isso com muita clareza: falar de compromisso público, autenticidade e defesa intransigente dos interesses daquela gente é, inevitavelmente, falar de João Paulo Rillo.

Com uma vitória maiúscula e incontestável nas urnas que o reconduz à Assembleia Legislativa como deputado estadual, Rillo reafirma algo que Rio Preto já sabe de cor: a política feita com o coração na rua, olho no olho e escuta ativa ainda é a que mais transforma vidas.

Mais do que um mandato, Rillo representa um estilo de liderança que está sempre à frente do seu tempo. É aquele político que não teme o debate, que veste a camisa da cidade e que ecoa com firmeza as demandas não só dos rio-pretenses, mas de toda a nossa região. Sua marca registrada é a coragem — seja fiscalizando, propondo ou garantindo que os recursos cheguem onde realmente precisam.

Nesta entrevista exclusiva, você confere de perto a visão de quem respira Rio Preto e a política com intensidade, entendendo os novos rumos desse cenário e não abrindo mão de defender o povo com a garra de sempre.
​Com vocês, a competência, a energia e as ideias de João Paulo Rillo. Aperte o play!

Com uma trajetória que transita pelas artes cênicas, pela liderança estudantil e por mandatos no Legislativo municipal e estadual, de que maneira a sua vivência com a cultura e a fundação do Centro Cultural Vasco moldaram a sua sensibilidade para a gestão pública e para a escuta da população?
A cultura foi uma das minhas primeiras formas de compreender o mundo e de me relacionar com as pessoas. A cultura ensina a olhar para o outro, a trabalhar coletivamente e a perceber que uma cidade não é feita apenas de obras, orçamento e serviços, mas também de identidade, memória e pertencimento.
O Centro Cultural Vasco nasceu justamente dessa compreensão. É um espaço construído coletivamente, que reúne cultura, formação, convivência e participação. Essa experiência influencia muito a minha atuação política. Eu acredito em uma política que esteja perto das pessoas, que saiba ouvir e que transforme essa escuta em ação concreta. Mandatos são instrumentos para interferir nos acontecimentos e melhorar a vida das pessoas.

Ao longo de sua carreira política, o senhor passou por diferentes instâncias de poder, desde a Câmara Municipal até a Assembleia Legislativa de São Paulo. Quais foram os maiores aprendizados dessa transição entre o parlamento municipal e o estadual para a formulação de políticas públicas voltadas às cidades do interior?
A Câmara Municipal nos coloca muito próximos dos problemas cotidianos. É onde chegam diretamente as demandas da escola, da unidade de saúde, do transporte, do bairro. A Assembleia amplia esse olhar e permite compreender como decisões tomadas pelo Estado interferem diretamente na realidade dos municípios.
Ter vivido essas duas experiências me ensinou que o interior precisa ter voz forte na formulação das políticas estaduais. Muitas vezes, as decisões são pensadas a partir da realidade da capital e não consideram as características das nossas cidades. O papel de um deputado do interior é justamente levar essas necessidades para o centro das decisões e, ao mesmo tempo, fazer com que os recursos e as políticas do Estado cheguem aos municípios.

O senhor é o autor do Projeto de Lei que criou a Região Metropolitana de São José do Rio Preto, unindo 30 municípios. Olhando para o cenário atual, quais avanços o senhor destaca nessa integração regional e quais caminhos ainda precisam ser trilhados para fortalecer o desenvolvimento conjunto dessas cidades?
A criação da Região Metropolitana foi resultado de uma luta que iniciamos ainda no meu mandato de deputado estadual. Precisamos fazer esse instrumento funcionar efetivamente. Saúde, transporte, saneamento, habitação, desenvolvimento econômico e planejamento urbano não respeitam divisas municipais. Rio Preto exerce uma centralidade muito grande e recebe diariamente milhares de pessoas das cidades vizinhas. O próximo passo é fortalecer a governança metropolitana e construir políticas compartilhadas. A Região Metropolitana pode ser uma ferramenta muito poderosa para captar investimentos, planejar serviços e enfrentar problemas que nenhum município consegue resolver sozinho.

Durante seu mandato como deputado estadual, o senhor presidiu a Comissão de Educação e Cultura e integrou a Comissão da Verdade “Rubens Paiva”. Como essas pautas de direitos humanos, memória e educação fundamentaram a sua atuação parlamentar e o seu compromisso com a cidadania?
São temas profundamente ligados à democracia. Educação pública de qualidade amplia oportunidades e permite que as pessoas exerçam plenamente sua cidadania. Cultura garante diversidade, identidade e liberdade de expressão. E preservar a memória é fundamental para que o país conheça sua história e não repita períodos marcados pelo autoritarismo e pela violência de Estado.
Na Assembleia Legislativa, procurei transformar esses princípios em atuação concreta, seja na defesa das universidades públicas e da escola pública, no fortalecimento das políticas culturais ou no trabalho da Comissão da Verdade. Democracia não é apenas votar a cada quatro anos. Ela depende de instituições fortes, direitos garantidos, memória preservada e participação permanente da sociedade.

Retornando à Câmara Municipal em 2020, sua atuação passou a focar fortemente na participação popular e na fiscalização de atos do Executivo, participando de comissões como a de Defesa da Cidadania e a de Concessões e Privatizações. Como tem sido o diálogo com os demais parlamentares e com o poder executivo para construir consensos em pautas complexas para a cidade?
Fiscalizar o governo, apontar erros e enfrentar decisões que considero prejudiciais à cidade fazem parte das responsabilidades de um vereador. Mas isso não significa votar contra tudo ou recusar o diálogo.
Quando uma proposta é boa para a população, ela tem o meu apoio. E conseguimos construir consensos importantes na Câmara mesmo entre vereadores com posições políticas muito diferentes. Ao mesmo tempo, há momentos em que o conflito é inevitável e até necessário. O Legislativo não pode abrir mão de fiscalizar o Executivo em nome de uma falsa harmonia institucional. Diálogo é importante, mas independência também é.

A defesa dos direitos dos servidores públicos e dos trabalhadores terceirizados é uma bandeira constante no seu mandato. Do ponto de vista administrativo e orçamentário, quais são os melhores caminhos para valorizar o funcionalismo público sem comprometer a responsabilidade fiscal do município?
Responsabilidade fiscal e valorização do servidor não são conceitos incompatíveis. Uma administração eficiente depende de servidores valorizados, qualificados e com boas condições de trabalho. Isso exige planejamento, política permanente de formação, carreiras estruturadas e recomposição responsável das perdas salariais. Também precisamos discutir com muita seriedade as terceirizações. Terceirizar não pode significar precarizar relações de trabalho ou retirar do poder público sua responsabilidade sobre a qualidade dos serviços.
Nossa experiência de fiscalização mostrou que contratos mal planejados e empresas que não cumprem obrigações trabalhistas acabam prejudicando trabalhadores, população e o próprio município. Responsabilidade com o dinheiro público também significa contratar bem, fiscalizar contratos e garantir que cada recurso produza serviço público de qualidade.

São José do Rio Preto tem apresentado um crescimento populacional e imobiliário muito expressivo nos últimos anos. Quais são, na sua visão, as maiores urgências estruturais que a cidade precisa enfrentar para garantir que esse desenvolvimento venha acompanhado de qualidade de vida para todos os bairros?
Rio Preto cresceu muito e precisa recuperar sua capacidade de planejamento. Não podemos permitir que a expansão imobiliária aconteça primeiro e que a infraestrutura pública tente correr atrás depois. Cada novo vetor de crescimento precisa ser acompanhado de planejamento de mobilidade, drenagem, saneamento, escolas, unidades de saúde, áreas verdes, equipamentos públicos e transporte coletivo. Também precisamos olhar para os bairros já consolidados, onde existem problemas históricos que não podem ser esquecidos enquanto a cidade se expande. Crescimento econômico e imobiliário só pode ser chamado de desenvolvimento quando melhora de verdade a vida das pessoas.

A mobilidade urbana, o saneamento e a expansão sustentável são temas cruciais para o futuro de Rio Preto. Que projetos e diretrizes o senhor considera indispensáveis para que o planejamento urbano da cidade seja mais inclusivo e integrado com a região metropolitana?

Precisamos abandonar a lógica de resolver cada problema isoladamente. Mobilidade, ocupação urbana, meio ambiente e saneamento fazem parte do mesmo planejamento. Rio Preto cresceu muito, mas o modelo de transporte coletivo não acompanhou esse crescimento. Hoje, muitos trabalhadores passam tempo demais dentro dos ônibus, em trajetos longos e pouco eficientes. Precisamos reorganizar linhas e conexões entre os bairros, priorizar o transporte coletivo e ampliar as condições para deslocamentos a pé e por bicicleta.
E essa discussão não pode terminar nos limites de Rio Preto. A Região Metropolitana precisa servir também para integrar o transporte entre os municípios, facilitando a vida de quem mora em uma cidade e trabalha, estuda ou utiliza serviços em outra. Precisamos pensar o transporte intermunicipal como parte de uma rede metropolitana de mobilidade, com mais integração, eficiência e menor tempo de deslocamento.
Para o saneamento, nós temos um importante instrumento, o SeMAE, que precisa continuar público, e evitar que o modelo fracassado de privatização da Sabesp seja repetido. O SeMAE pode assumir um papel regional muito mais importante. Temos capacidade técnica para pensar uma autarquia regional de saneamento que coopere com os municípios da Região Metropolitana, contribuindo para a segurança hídrica, o saneamento sustentável e a busca por tarifas mais acessíveis para a população.
Ao mesmo tempo, a expansão urbana precisa respeitar a capacidade de infraestrutura da cidade, proteger áreas verdes e incorporar soluções de drenagem e enfrentamento às mudanças climáticas. Rio Preto precisa planejar seu crescimento olhando para as próximas décadas e entendendo que seu futuro está cada vez mais ligado ao futuro das cidades da nossa região.

A cultura sempre ocupou um espaço central na sua história pessoal e política, especialmente no apoio à produção artística independente. Como fortalecer as políticas culturais em Rio Preto, garantindo o acesso democrático aos bens culturais e o fomento contínuo aos artistas locais?
Cultura precisa ser tratada como política pública permanente, e não como uma sucessão de eventos lucrativos para poucos. Isso significa orçamento, planejamento, editais transparentes, valorização dos trabalhadores da cultura e continuidade das políticas independentemente de quem esteja governando.
Rio Preto tem uma produção cultural muito rica e uma história importante nessa área. Precisamos fortalecer iniciativas independentes, ocupar os equipamentos públicos, descentralizar as atividades e fazer a cultura chegar aos bairros.
Também é fundamental preservar e fortalecer projetos que fazem parte da identidade da cidade. E precisamos compreender a cultura também como uma política de cuidado. Cultura e saúde estão diretamente ligadas. O acesso à arte, ao lazer, à convivência e aos espaços culturais contribui para a qualidade de vida, para a saúde mental e para o fortalecimento dos vínculos entre as pessoas. Cultura gera emprego, movimenta a economia, amplia o acesso à arte, ocupa espaços urbanos e cria pertencimento. Investir em cultura é investir na saúde, na qualidade de vida e na própria cidade.

Olhando para o futuro de São José do Rio Preto nos próximos anos, que tipo de cidade o senhor espera construir e qual é o papel essencial da participação cidadã e dos conselhos municipais na tomada de decisões estratégicas para o município?
Quero uma Rio Preto que cresça sem deixar ninguém para trás, que tenha serviços públicos fortes, planejamento, responsabilidade ambiental, oportunidades e qualidade de vida em todos os bairros. Uma cidade que enfrente suas desigualdades e faça o desenvolvimento chegar também a quem historicamente ficou à margem dele.
Mas nenhuma cidade melhora de verdade quando suas decisões ficam concentradas em poucas pessoas ou submetidas apenas a interesses econômicos e políticos. Conselhos municipais, movimentos sociais e organizações comunitárias não podem ser tratados como obstáculos administrativos. São instrumentos democráticos que ajudam o poder público a tomar decisões melhores e garantem que diferentes setores da sociedade tenham voz sobre os rumos da cidade.
Tenho uma convicção construída ao longo de toda a minha trajetória de que, quanto mais a população participa, acompanha, questiona e interfere nas decisões, menos espaço existe para decisões que possam prejudicar o futuro da cidade.

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