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​O Olhar de Alex Ruiz: conectando você aos grandes nomes que escrevem a nossa história

​A coluna desta semana celebra o legado e a visão de quem comanda com elegância, sensibilidade e pulso firme os bastidores de um dos maiores eventos do planeta.

​Recebo com exclusividade o Sr. Fernando Junqueira Moni, diretor social da Festa do Peão de Barretos. Mais do que um gestor de excelência, Fernando é o guardião da nossa sofisticação e da nossa hospitalidade, unindo o melhor da tradição country à modernidade que encanta o Brasil e o mundo. Em nossa conversa, ele compartilha a arte de acolher, os desafios de coordenar a grandiosidade social do evento e a paixão por fazer de Barretos um verdadeiro ponto de encontro para quem vive e respira a cultura sertaneja.
​É uma honra registrar o pensamento de um profissional que imprime classe, dedicação e brilho a cada detalhe da nossa festa maior.

ENTREVISTA EXCLUSIVA
FERNANDO JUNQUEIRA MONI
A excelência nos bastidores de Barretos

SOBRE A TRAJETÓRIA

Você ocupa o cargo de Diretor Social da maior Festa do Peão da América Latina. Como é essa jornada, desde que assumiu essa posição, e como ela tem moldado sua visão sobre o impacto do evento para Barretos?

Minha história com Os Independentes não começou quando assumi a Diretoria Social. Ela começou muito antes, em 1978, quando passei a integrar a associação como membro efetivo. Portanto, quando olho para a Festa, não enxergo apenas um evento: vejo uma parte importante da minha própria vida.

Ao longo dessas décadas, acompanhei o crescimento da Festa, a transformação do Parque do Peão e a projeção que Barretos conquistou no Brasil e no exterior. Vi uma celebração criada a partir da coragem e do ideal de um grupo de jovens tornar-se uma das maiores manifestações da cultura sertaneja do mundo.

Assumir a Diretoria Social aumentou ainda mais a minha responsabilidade. Passei a cuidar diretamente da maneira como muitas pessoas conhecem e vivenciam Barretos. Cada autoridade, parceiro, artista, empresário ou convidado que recebemos leva consigo uma impressão da nossa cidade e da nossa associação.

Essa jornada me ensinou que a Festa não movimenta apenas a arena. Ela movimenta hotéis, restaurantes, comércio, serviços, empregos, sonhos e oportunidades. Quando trabalhamos pela excelência do evento, estamos também trabalhando pelo desenvolvimento e pelo futuro de Barretos.

O PESO DO CARGO

Assumir a direção social em um evento com essa magnitude exige uma responsabilidade ímpar. Qual você acredita ser o pilar fundamental que torna a sua presença e o seu trabalho essenciais para a engrenagem de Barretos?

O principal pilar é o relacionamento humano. Podemos ter a melhor estrutura, a maior arena e uma programação grandiosa, mas uma Festa como a de Barretos também é construída pela maneira como recebemos as pessoas. O convidado precisa perceber que não está entrando apenas em um grande evento. Ele está entrando na casa de Os Independentes e sendo acolhido pela cidade de Barretos.

Meu trabalho é garantir que esse acolhimento aconteça com respeito, organização, cordialidade e atenção aos detalhes. Muitas vezes, um gesto simples, uma orientação correta ou uma recepção feita com carinho vale tanto quanto toda a estrutura que está ao redor.

O setor social funciona como uma ponte. De um lado, temos a tradição, a história e os valores de Os Independentes. Do outro, temos autoridades, parceiros, patrocinadores, representantes de instituições e pessoas que podem ajudar a ampliar ainda mais o alcance da Festa. Minha função é aproximar esses mundos sem perder aquilo que Barretos tem de mais verdadeiro: a hospitalidade, a simplicidade e a palavra dada.

A EVOLUÇÃO DO PAPEL SOCIAL

O conceito de “social” em grandes eventos mudou muito nos últimos anos. Como você tem adaptado o acolhimento de autoridades e parceiros para manter a tradição de Barretos, mas com um toque de modernidade, desde que iniciou sua gestão?

A tradição não pode ficar parada no tempo. Ela precisa acompanhar as transformações da sociedade sem perder a sua essência. Antigamente, o trabalho social estava muito ligado à recepção formal e ao cumprimento de protocolos. Isso continua sendo importante, especialmente quando recebemos autoridades e representantes de grandes instituições. Entretanto, atualmente, o convidado busca algo além do protocolo: ele deseja viver uma experiência.

Por isso, procuramos unir organização, agilidade, comunicação e tecnologia a uma hospitalidade genuinamente barretense. A modernidade está nos processos, nas informações, no planejamento e na maneira de antecipar necessidades. A tradição permanece no aperto de mão, no olhar, na cordialidade e na forma respeitosa como recebemos cada pessoa.

Não buscamos apenas mostrar o tamanho da Festa. Queremos apresentar a história que existe por trás dela. Queremos que o convidado compreenda por que a Queima do Alho é importante, o que representa o traje típico, qual é o significado da Rainha da Festa e como Os Independentes construíram esse patrimônio.

Modernizar, para mim, não significa abandonar o passado. Significa criar novas maneiras de fazer com que esse passado continue vivo e compreendido pelas próximas gerações.

GESTÃO DE RELACIONAMENTO

Sendo o Diretor Social, como é o trabalho de bastidor para garantir que cada convidado influente vivencie uma experiência única que honre a tradição de ser recebido pela maior Festa do Peão da América Latina?

Existe um trabalho muito grande antes de cada convidado chegar ao Parque do Peão.

É necessário conhecer a programação, organizar agendas, alinhar equipes, conferir credenciamentos, acompanhar protocolos e prever diferentes situações. Em muitos casos, temos várias autoridades chegando em horários próximos, cada uma com necessidades específicas e compromissos diferentes.

No entanto, não podemos permitir que toda essa operação apareça para o convidado. Ele precisa encontrar tranquilidade, segurança e acolhimento. Quando tudo parece simples para quem chega, geralmente é porque houve muito planejamento nos bastidores.

Também acredito que cada pessoa deve ser recebida com atenção verdadeira, independentemente do cargo que ocupa. Evidentemente, existem protocolos oficiais, mas respeito e hospitalidade não devem depender de títulos.

O grande desafio é fazer com que o convidado se sinta importante sem transformar a recepção em algo artificial. Barretos tem uma maneira muito própria de acolher: com firmeza, simplicidade e generosidade. É essa experiência que procuramos proporcionar.

CULTURA E RODEIO

Muito se fala da arena, mas o setor social é o coração das relações públicas do evento. Como sua experiência consolidada ajuda a manter a essência sertaneja viva, mesmo em ambientes de alta sofisticação?

Sofisticação e tradição não são ideias opostas.

Podemos oferecer um ambiente confortável, organizado e elegante sem deixar de valorizar nossas raízes. O que não podemos permitir é que a sofisticação apague a identidade sertaneja que tornou Barretos reconhecida em todo o país.

A essência está nos detalhes: na decoração, na música, na gastronomia, na maneira de contar a história da Festa e, principalmente, no comportamento das pessoas que representam Os Independentes.

A cultura sertaneja ensina valores muito importantes: respeito, coragem, lealdade, hospitalidade e gratidão. Esses valores precisam estar presentes tanto na arena quanto nos espaços destinados às autoridades e aos convidados.

A experiência acumulada ao longo de tantos anos me ajuda a perceber quando alguma coisa começa a se distanciar dessa essência. Podemos evoluir, inovar e oferecer novos serviços, mas o convidado precisa sentir que está em Barretos. Se ele pudesse encontrar exatamente a mesma experiência em qualquer outro lugar, alguma coisa estaria faltando.

CURADORIA E EXPERIÊNCIA

A organização de um evento desse porte exige atenção minuciosa. Qual aspecto você considera o seu maior legado como diretor desde que assumiu essa função?

Acredito que meu maior legado seja contribuir para que a hospitalidade seja reconhecida como uma parte fundamental da Festa. Ao longo dos anos, procurei mostrar que receber bem não é apenas abrir uma porta ou indicar um lugar. Receber bem é cuidar da experiência completa. É fazer com que a pessoa se sinta respeitada, compreenda a importância da Festa e deseje voltar.

Também considero muito importante o trabalho realizado no Concurso Rainha da Festa do Peão. A escolha da Rainha existe desde a primeira edição e atravessa gerações. Não se trata somente de beleza, mas de identidade, cultura, comunicação e representatividade.

Ao ajudarmos a preservar e fortalecer esse concurso, estamos mantendo viva uma tradição que aproxima a comunidade da Festa. Quando vemos as famílias acompanhando as candidatas, o público torcendo e as jovens compreendendo a responsabilidade de representar Barretos, percebemos que a tradição continua pulsando.

Meu desejo é deixar processos organizados, relações fortalecidas e pessoas preparadas para continuar esse trabalho. Um verdadeiro legado não é aquilo que termina conosco, mas aquilo que permanece quando outras pessoas assumem a missão.

LEGADO

Ao olhar para a história de Barretos, vemos grandes nomes que passaram pelo cargo. Como é a sensação de ser o guardião de um setor que conecta tantas histórias importantes do nosso país sob sua coordenação?

É uma honra, mas também uma grande responsabilidade.

Quando entramos para Os Independentes, compreendemos que estamos participando de uma história muito maior do que qualquer trajetória individual. Muitos homens e mulheres trabalharam antes de nós para que a Festa alcançasse a dimensão que possui hoje.

Por isso, não me considero dono de uma função. Considero-me alguém que recebeu temporariamente a responsabilidade de cuidar dela.

Ao longo dos anos, o setor social recebeu presidentes da República, governadores, ministros, artistas, empresários, lideranças e representantes de diferentes regiões do país. Cada encontro ajudou a construir uma parte da história da Festa.

Mas aquilo que mais me emociona é perceber que, por trás das grandes autoridades, existem pessoas. Pessoas que também se surpreendem ao entrar na arena, que se emocionam com o Hino Nacional, que se encantam com a cultura sertaneja e que levam Barretos na memória.

Ser guardião dessas relações significa cuidar para que cada capítulo seja escrito com respeito à história e responsabilidade com o futuro.

O DESAFIO DO IMPREVISTO

Lidar com um volume tão grande de autoridades exige jogo de cintura. Existem situações que, ao longo desses anos, exigiram toda a sua habilidade para garantir a excelência da Festa?

Em uma Festa desse tamanho, o imprevisto não é uma possibilidade distante. Ele faz parte da rotina.

Alterações de horários, mudanças de agenda, acessos que precisam ser reorganizados, autoridades que chegam simultaneamente e decisões que precisam ser tomadas em poucos minutos são situações comuns nos bastidores.

Nesses momentos, não podemos agir pelo impulso. É preciso manter a tranquilidade, ouvir a equipe, compreender as prioridades e encontrar uma solução sem comprometer a segurança, o protocolo e a experiência dos demais convidados.

Aprendi que o bom trabalho de bastidor não é aquele em que nenhum problema acontece. Em um evento dessa dimensão, isso seria praticamente impossível. O bom trabalho é aquele em que o problema é resolvido com tamanha eficiência que o público e o convidado quase não percebem que ele existiu.

Também aprendi a confiar nas pessoas. Nenhum diretor realiza uma Festa sozinho. A excelência depende de uma equipe comprometida, preparada e consciente de que cada decisão representa Os Independentes e Barretos.

TURISMO E ECONOMIA

A Festa movimenta o turismo de toda a região. Como o seu trabalho como Diretor Social contribui para que o convidado saia de Barretos como um embaixador do nosso potencial turístico?

Cada convidado que recebemos pode se transformar em um divulgador espontâneo de Barretos.

Quando uma pessoa vive uma experiência positiva, ela compartilha essa experiência com familiares, amigos, parceiros profissionais e com sua própria rede de relacionamentos. Em muitos casos, uma boa impressão gera novas visitas, negócios, eventos e oportunidades para o município.

Por isso, nosso trabalho não termina quando mostramos a arena. Procuramos apresentar Barretos como uma cidade de história, cultura, hospitalidade, gastronomia e vocação turística.

A Festa é nossa maior vitrine, mas Barretos possui muito mais para oferecer. Temos o Parque do Peão, nossa memória sertaneja, a tradição das comitivas, a Queima do Alho, o Hospital de Amor e diversos espaços que revelam a identidade da cidade.

Quando o convidado vai embora dizendo que foi bem recebido e que deseja retornar, cumprimos uma parte importante da nossa missão. Mais do que receber alguém durante alguns dias, ajudamos a criar uma relação duradoura entre essa pessoa e Barretos.

VISÃO DE FUTURO

Com toda a sua vivência como Diretor Social, como você projeta o futuro da hospitalidade e do setor social em Barretos para as próximas edições?

O futuro da hospitalidade estará cada vez mais ligado à personalização, à tecnologia e à qualidade da experiência. Porém, acredito que o elemento humano continuará sendo insubstituível.

Teremos processos mais rápidos, informações mais integradas e ferramentas que facilitarão o atendimento. Isso será fundamental para uma Festa que recebe um público tão amplo e pessoas vindas de diferentes lugares.

Entretanto, nenhuma tecnologia substituirá a atenção verdadeira, o respeito e a capacidade de fazer alguém se sentir acolhido.

Também acredito muito na preparação das novas gerações. Precisamos transmitir não apenas procedimentos, mas valores. Quem assumir responsabilidades dentro de Os Independentes deve conhecer a história da associação, respeitar aqueles que vieram antes e compreender que representar a Festa significa representar Barretos.

Vejo o setor social cada vez mais profissional, estratégico e integrado ao turismo e às relações institucionais. Mas espero que ele continue preservando aquilo que nos trouxe até aqui: a amizade, a hospitalidade e o orgulho de abrir as portas da nossa casa.

A Festa cresce porque se moderniza, mas permanece grandiosa porque nunca abandona suas raízes.

 

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