Como colunista social, raras vezes temos o privilégio de falar sobre uma mulher cuja grandeza se confunde com a própria alma de uma terra. É exatamente esse o caso de Maria Aparecida de Araújo Manzolli, a inesquecível Cidinha Manzolli. Mais do que uma pesquisadora e educadora, ela é a verdadeira matriarca e a majestade incontestável da cultura popular, a mulher cuja força artística ajudou a eternizar Olímpia como a Capital Nacional do Folclore.
A trajetória de Cidinha é daquelas que inspiram profunda reverência. Sua relação indissolúvel com a arte começou a se desenhar nos anos 1950, quando iniciou seus estudos ao acordeão, consolidando sua vocação acadêmica ao ingressar na faculdade de Canto Orfeônico e Regência em 1962.
Por mais de 27 anos dedicados às salas de aula no ensino fundamental e médio, ela não foi apenas uma professora; foi uma verdadeira mestra de almas, plantando o amor pelas nossas raízes em gerações de olimpienses.
O grande monumento vivo dessa dedicação ímpar é a fundação do Grupo Olimpiense de Danças Parafolclóricas Cidade Menina-Moça (Godap). Com uma sensibilidade artística rara e um rigor impecável, Cidinha mergulhou em pesquisas profundas de campo — resgatando tesouros preciosos e raríssimos, como a hipnotizante Dança do Bambu. Sob sua batuta firme e apaixonada, o Godap rompeu todas as fronteiras, levando a autenticidade e a riqueza das tradições paulistas e brasileiras para os palcos mais exigentes do Brasil , mostrando que a nossa cultura é vibrante, sofisticada e eterna.
Nenhum título é capaz de dimensionar o tamanho de sua importância, mas a consagração oficial veio coroar essa vida inteira de doação com a comenda da Ordem do Mérito do Folclore Brasileiro.
Cidinha Manzolli é a rainha que não apenas guardou a memória do nosso povo, mas a manteve pulsante, viva e em constante movimento por mais de seis décadas.
É uma honra imensa registrar e aplaudir de pé a obra dessa mulher extraordinária, cuja luz continuará guiando e iluminando para sempre o coração de Olímpia e do Brasil.





