O que era conhecido até então como “flapper dress”, ou vestido de melindrosa, virou o “vestido da Tina Turner” desde que a Turner usou a peça pela primeira vez nos anos 70 para cantar Proud Mary ao lado do marido, Ike Turner, em uma apresentação histórica. O look curtíssimo que ela usava em seus shows se firmou como possivelmente o mais icônico de sua carreira. Desde então ela usou diversas versões da peça – inclusive uma assinada por Azzedine Alaïa.
+ Aos 73 anos, Tina Turner é capa da Vogue alemã.
Relatório de Análise Política: As Sabatinas Presidenciais
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
A Retórica do Poder Enfrenta o Espelho da Realidade.
O presidente subiu ao estúdio com a pompa de quem domina os holofotes há décadas, mas bastou a bancada apertar o ritmo para que o disfarce de serenidade ruísse. Antes mesmo de chegar aos deslizes pontuais, chama atenção o volume de perguntas que Lula simplesmente não soube — ou não quis — responder, preferindo inverter os papéis. Quando questionado sobre a alta do custo de vida e o rombo das contas públicas, o petista preferiu rebater a própria Renata Vasconcellos, tentando ditar como a jornalista deveria ter formulado a pergunta em vez de encarar a dura realidade da inflação.
Ele falou exatamente “ao contrário” do que a dona de casa sente no supermercado: enquanto o cidadão aperta o cinto, Lula garantiu com ar professoral que a economia vai às mil maravilhas. Sobre a distribuição de cargos para o Centrão e os escândalos que rondam seus aliados, o presidente travou na defensiva, deu voltas retóricas e não entregou uma única resposta concreta sobre como vai barrar a fisiologia no governo.
Quando o assunto resvalou para a vida de seu filho, Lulinha, Lula vestiu o figurino do paizão indignado, adotando um discurso de coitadismo e fingindo uma inocência quase ingênua que já não convence os analistas mais atentos. Tentou blindar o histórico familiar com aquele velho estribilho de que o filho é vítima de perseguição, ignorando solenemente os questionamentos objetivos da bancada sobre o patrimônio e os negócios do herdeiro.
As 3 Grandes Derrapadas de Lula
Deselegância e atrito com a bancada: Em vez de responder à pergunta sobre metas fiscais, Lula atacou a conduta de Renata Vasconcellos, criando um clima tenso e demonstrando irritação incompatível com a estatura do cargo.
Negação do peso econômico no bolso: Insistiu em uma narrativa de prosperidade orçamentária que soa como afronta para quem enfrenta o custo de vida elevado, apelando para uma maquiagem de dados.
Escudo protetor ao loteamento político: Recusou-se a detalhar limites para a barganha de ministérios com partidos fisiológicos, justificando o injustificável com meias-verdades.
FLAVIO BOLSONARO
Ensaio de Herdeiro Esbarra no Vazio Prático
Flávio abriu sua participação tentando pousar de cavalheiro ao defender a bancada do ataque da noite anterior, mas a gentileza ensaiada durou até a primeira pergunta incisiva de César Tralli e Renata.
O senador decepcionou quem esperava a densidade de um postulante ao Planalto: passou boa parte do tempo gaguejando diante de números e desfazendo a própria lógica.
Quando questionado sobre onde faria os cortes bilionários do orçamento para fechar a conta do Estado, Flávio não soube responder. Limitou-se a frases feitas sobre “cortar ministérios e comissionados” — números que não pagam nem uma fração do déficit nacional.
Para completar, falou “ao contrário” do consenso científico ao ser confrontado sobre tragédias climáticas, afirmando com desdém que o aquecimento global é apenas “uma fase cíclica de mais calor ou mais frio”. Sobre contratações obscuras do passado e homenagens controversas, o candidato simplesmente atropelou a fala dos entrevistadores para não ter que dar explicações.
O escândalo em torno do Banco Master e os milhões injetados no filme Dark Horse transformaram-se em um dos momentos mais constrangedores da noite. Confrontado com áudios em que pedia quantias estratosféricas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sob o tratamento de “irmão”, o senador tentou negar os fatos com um cinismo flagrante. Falou ao contrário das evidências apresentadas pela Polícia Federal ao tentar emplacar a narrativa de que o financiamento milionário para a película de sua família era um mero patrocínio privado sem qualquer contrapartida ou irregularidade, travando totalmente quando a bancada exigiu transparência sobre o destino real dos recursos.
As 3 Grandes Derrapadas de Flávio
Apagão no plano orçamentário: Prometeu cortar meio trilhão de reais em gastos públicos, mas travou completamente quando Tralli perguntou de onde viria essa tesourada sem afetar a saúde e os serviços essenciais.
Negacionismo ambiental em horário nobre: Reduziu a crise climática global a meras “mudanças de estação”, demonstrando total falta de preparo para gerir a pauta de sustentabilidade do país.
Contradições éticas e o labirinto do Banco Master: Ao ser acurralado com as revelações e áudios sobre os milhões repassados por Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, recorreu a negativas desmentidas e escapivas evasivas sobre os contratos.
AUGUSTO CURY
O Divã no Palanque e a Desconexão com o Orçamento
A presença de Augusto Cury prometia um toque de sofisticação e paz, mas acabou entregando um dos momentos mais desconfortáveis da sabatina. O escritor parecia estar em um lançamento de livro, não no ringue da política nacional. O grande problema de sua participação foi a incapacidade absoluta de responder como suas ideias cabem no mundo real.
Quando a bancada o confrontou sobre como pretendia aprovar suas teses de inteligência emocional em um Congresso dominado pelo Centrão e por bancadas temáticas agressivas, Cury congelou e não soube apontar um único articulador político ou estratégia de coalizão. Falou “ao contrário” do bom senso administrativo ao sugerir soluções extravagantes — como usar “influencers como embaixadores” ou “drones para combater o feminicídio” — enquanto ignorava por completo a falência da segurança pública e o funcionamento da máquina fiscal. Trouxe o diagnóstico da alma, mas deixou o diagnóstico do país totalmente em branco.
As 3 Grandes Derrapadas de Cury
Propostas mirabolantes e desconexas: Defender o uso de drones e influenciadores digitais para resolver problemas estruturais graves soou infantil diante do rigor técnico exigido pela bancada.
Analfabetismo de governabilidade: Admitiu implicitamente que não tem ideia de como negociar emendas, projetos de lei ou governar com um Congresso hostil sem ceder ao fisiologismo.
Confusão de papéis entre psicanálise e gestão pública: Respondeu a questionamentos sobre metas fiscais e infraestrutura com metáforas sobre a mente e o autocontrole, revelando que a autoajuda não fecha a conta do orçamento federal





