Atividades remotas da Educação beneficiam desenvolvimento de crianças com deficiência e transtornos de aprendizagem

Desde a suspensão das aulas presenciais devido à pandemia da Covid-19, a rede municipal de ensino de Olímpia tem se adaptado para oferecer as atividades curriculares de forma remota para proporcionar o aprendizado das crianças. O trabalho tem sido planejado pelos professores e monitorado pelas escolas, que estão organizando a retirada e entrega dos materiais.

Segundo a Educação, apesar dos desafios que o momento impõe, o resultado tem sido bastante positivo com participação ativa dos pais e interação das crianças. A adaptação do ensino regular, seguindo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular, tem exigido um acompanhamento constante para se cumprir as atividades com eficiência, mas, mais desafiador ainda, e ao mesmo tempo otimista, tem sido o trabalho com os alunos deficientes e com transtornos intelectuais atendidos na rede.

Ao todo, o município assiste mais de 300 crianças na Educação Inclusiva, sendo 135  no Atendimento Educacional Especializado (AEE), 134 no Projeto “Transtornos Específicos da Aprendizagem” e 34 na “Reabilitação em Multimída”. Em tempos de normalidade, esses alunos participam do período regular de ensino, em alguns casos com o acompanhamento de professores auxiliares, e no contraturno, recebem atenção especial para incentivar o desenvolvimento das capacidades específicas, por meio de jogos e brincadeiras.

Agora, com as mudanças, este trabalho também foi adaptado para promover a continuidade da evolução e não desamparar as crianças e as famílias. Para isso, os professores do atendimento especializado têm preparado materiais, que são entregues aos pais juntamente com as atividades do ensino regular, e oferecido suporte para possibilitar o aprendizado.

E essa dedicação tem sido reconhecida pelas famílias. É o caso da Elisângela Pereira, mãe do Guilherme, de 8 anos, que tem transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. “Acho as atividades essenciais para uma continuidade dos atendimentos. Pois sempre que possível estimulo meu filho, mas com as orientações vindo de um profissional acredito que fica mais direcionada e correta a necessidade dele neste momento. Ele adora, pois é incrível ver ele se esforçar para fazer e, dependendo da atividade, acaba virando uma brincadeira que a família toda participa”, conta a mãe.

O mesmo sentimento é vivido pela família da Bianca, de 3 anos, quem tem Síndrome de Down. “Com a gente em casa, as ideias vão acabando, as brincadeiras vão ficando repetitivas e os estímulos vão ficando escassos. Então quando chegam as atividades do AEE é um momento muito prazeroso pra gente, que ela demonstra interesse e quer fazer, conhecer o material. Eu sou muito grata às professoras tanto da escola quando do AEE que são atividades mais específicas, voltadas pra dificuldade da minha filha e nós vemos a evolução dela no dia a dia”, destaca Luciana Dias, mãe da aluna.

Além das atividades com materiais físicos, crianças com dificuldades neurológicas também têm contado com apoio da tecnologia no aprendizado, como ocorre no Projeto Reabilitação em Multimídia, que é uma técnica de ginástica para o cérebro que utiliza os recursos do computador para estimular o amadurecimento neurológico, desenvolvendo habilidades motoras e aprimorando funções cognitivas como memória, concentração, inteligência, autonomia, entre outras.

O trabalho é realizado pela profissional Luciana Maria Depieri Branco, que é neurocientista, pesquisadora e pedagoga e autora da técnica, que, com a ajuda de seu marido Jean Luís Peres da Silva, está prestando atendimento online em tempo real às crianças e até mesmo disponibilizando um notebook às famílias que não têm o equipamento para a realização das atividades. O casal leva e busca o computador na casa do aluno no horário agendado do atendimento, seguindo todas as medidas de prevenção, como uso de máscara e luvas e fazendo a higienização de todo o material.

O cuidado especial tem sido fundamental para auxiliar os pais no desenvolvimento das atividades, como explica Cristiane Regina Amásio, mãe do Everton Gustavo, de 9 anos, que possui deficiência múltipla. “Estou achando excelente esse atendimento online, em tempo real. O Jean e a Luciana entram em contato com ele e ele tem aprendido muito. Como eu não tenho condições de comprar um notebook, eles têm trazido aqui na minha casa, totalmente higienizado na entrega e na devolução. Então, está sendo uma ótima oportunidade que está ajudando muito no desenvolvimento do meu filho nesse momento que estamos vivendo”, disse.

O pai do Gabriel Bertoco Baltazar, de 9 anos, que tem deficiência intelectual leve também destaca e agradece a importância do trabalho. “Eu queria dizer que estamos muito contentes, que ele vem progredindo a cada dia. Vem sendo muito bom pra ele. Mesmo à distância, o Gabriel tem conseguido fazer o projeto e tem alcançado os objetivos”, relatou Fábio Baltazar.

Todo o atendimento educacional da rede tem a orientação da secretária de Educação, Maristela Meniti.

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